sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O problema com o software Open Source

Utilizo no meu PC bastante software gratuito, entre freeware tradicional e OpenSource. E até já escrevi um livro sobre o tema. Acho que este tipo de software representa um importante papel na indústria e é também uma mais-valia real para os utilizadores.

Contudo, volta e meia aparecem notícias que não me deixam de espantar. Uma das últimas surge por parte do site Ars Technica, um dos que monitorizo e respeito, a propósito do lançamento da última versão do programa de edição de imagem Open Source GIMP (é a versão 2.6, lançada no dia 1, mas foi rapidamente lançada uma versão 2.6.1 uma semana depois, para corrigir bugs...).

A ideia do artigo é a de que esta última versão está "mais próxima de ser uma alternativa ao Photoshop". O quê? Importam-se de repetir? Sou jornalista há mais de 20 anos, conheço dezenas de gráficos e paginadores e, mais recentemente, por causa do meu envolvimento com a revista FotoDigital, conheço também imensos fotógrafos. E NENHUM deles sabe sequer o que é o GIMP. NENHUM!

Isto não significa que o GIMP não seja um bom programa, especialmente nestas últimas versões onde muita atenção foi dada aos aspectos da usabilidade e facilidade de utilização. Contudo, o Photoshop é não apenas um alvo em movimento - a Adobe melhora continuamente o seu produto, com regulares ciclos de actualização - como um programa que se tornou no standard por parte de designers gráficos e fotógrafos de todo o mundo.

Para estes, não é importante que o seu programa custe 1000 euros ou absolutamente nada. O que é importante é ter a melhor ferramenta para o trabalho em mãos - e acontece que ela se chama Photoshop.

O mesmo exemplo pode ser dado para o OpenOffice.org, cuja versão 3.0 acaba de ser lançada. Alguém deveria pensar porque é que milhões de pessoas em todo o mundo preferem usar o Microsoft Office (nem que seja pirateado!) do que o OpenOffice. Pelo meu lado, penso que a razão é simples: porque o produto da Microsoft é o melhor.

Ora, ao contrário do que muitas vezes se pensa e escreve, são de facto os melhores produtos os que vencem no mercado, independentemente do seu preço. Se assim não fosse, porque é que o OpenOffice.org, que é gratuito, não é hoje o pacote de produtividade mais usado em todo o mundo?

Acresce ao facto de o Microsoft Office ser melhor (e a distância aumentou com a excelente versão 2007) que muitas empresas usam-no como plataforma de desenvolvimento de aplicações. Por outro lado, o pacote da Microsoft continua a possuir uma aplicação sem paralelo - o Outlook - que é frequentemente a mais usada do leque de aplicações Office.

Para quem não acredita na minha visão dos factos, admissivelmente discutível, podemos sempre apontar um caso ao contrário - o FireFox. Durante anos, e apesar dos esforços de empresas como a Opera ou até mesmo a defunta Netscape, o Internet Explorer foi o browser dominante porque nunca teve oposição à altura.

O argumento era o de que as pessoas o usavam porque vinha incluído no Windows. Sempre discordei: as pessoas usavam-no porque não havia nada suficientemente melhor que valesse a pena instalar nos seus PCs. A prova está no FireFox, que rapidamente ganhou (e continua a ganhar, embora de forma menos dramática) quota de mercado ao IE porque... é melhor.

A moral desta história? É simples: a comunidade OpenSource não pode esperar ganhar massa crítica apenas criando software cujo principal argumento é a sua gratuitidade (o que nalguns casos nem sequer é exactamente assim, mas adiante); para se constituir como alternativa credível ao software comercial, ao software OpenSource basta uma coisa: ser a melhor ferramenta para o fim em vista.

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