sábado, 3 de janeiro de 2009

O poder do comércio tradicional

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Sou normalmente pouco sensível aos argumentos a favor do chamado “comércio tradicional”. A razão é simples: o que normalmente se diz a favor deste tipo de comércio não é, simplesmente, verdade.

Coisas como o maior conhecimento e empatia entre o vendedor e o cliente ou o melhor atendimento não passam de mitos urbanos.

O comércio tradicional está em crise, mas a culpa não é (só) das grandes superfícies comerciais. É de gerações e gerações de comerciantes que não percebem que os gostos e hábitos do público evoluem e que é preciso evoluir com eles.

Em Lisboa, basta uma rápida visita à Rua dos Fanqueiros para se perceber do que estou a falar: há lojas que não só não apetece entrar mas das quais queremos fugir e mudar de passeio!

Os comerciantes não podem sobreviver com o mesmo tipo de negócio que tinham há 20 anos. Têm, se quiserem acompanhar os tempos e continuar a facturar, de se modernizar – modernizar as suas lojas, o seu artigo e até os seus funcionários.

Se necessário, devem mudar de ramo e passar a vender outras coisas e até noutros locais (ou vendê-las de outra forma: exemplo prático é o da panificação, cujo negócio deixou de consistir em vender pão mas sim em vender massa crua – e quem não percebeu isto teve de fechar as portas).

Mas é preciso também entender o que é “comércio tradicional”: num grande centro comercial, também há lugar para lojas de comércio tradicional: pequenas livrarias, pequenas lojas com artigos específicos, de preferência artigos que não se encontrem à venda nas grandes superfícies

Vem tudo isto a propósito de um episódio recente que se passou comigo. Normalmente, compro tudo o que tem a ver com informática ao meu amigo Carlos Guimarães, da Modus Informática, que conheço há cerca de 20 e que é, quanto mim, uma das poucas pessoas garantidamente sérias neste negócio (não estou a dizer que as outras não sejam, OK?, mas pelo Carlos eu ponho as mãos no fogo – e quanto aos outros…).

Mas se eu o conheci em Lisboa, ele hoje tem loja em Faro e por vezes preciso de alguma coisa “para ontem”. Nesses casos, recorro frequentemente à loja CPCnet do Odivelas Shopping. É uma loja fantástica para geeks como eu: têm dezenas de modelos diferentes de placas gráficas, motherboards, discos rígidos, fontes de alimentação, placas Wi-Fi e milhentos cabos, conversores e adaptadores.

Os preços não são melhores nem piores do que os da concorrência, mas o que me faz lá ir é o facto de saber que vão ter, quase de certeza, o que procuro.

Ora a fonte de alimentação Antec do meu Windows Home Server rebentou (literalmente, com faíscas e “pum!”) no passado fim-de-semana. E a fonte que eu tinha lá pela garagem que encontrei como substituta (sim, eu tenho fontes de alimentação a mais na garagem…) era mais antiga e não tem fichas de alimentação para discos SATA.

Eu tinha por lá um adaptador Molex>SATA, mas precisava de mais outro, pois o meu WHS tem dois discos SATA. E por isso resolvi dar uma saltada rápida à CPCNet de Odivelas.

Para meu pânico, eles não tinham de momento qualquer adaptador Molex>SATA… E se bem que se propusessem desde logo a mandar vir um para mim – estaria cá no dia seguinte – eu queria voltar para casa com a solução do meu problema.

O funcionário que me atendeu percebeu que eu era habitué da loja, olhou para mim, e disse-me: espere aí, que eu talvez arranje qualquer coisa. Meio minuto depois, voltou com um adaptador na mão. Tome, tinha ali um a mais, assim já fica desenrascado. Bom Ano.

Ainda perguntei quanto era, mas por mera cortesia, pois percebi desde logo que se tratava de uma oferta. O adaptador não estava embalado sequer, era mesmo algo que estava por lá, algures sobre uma bancada.

Um adaptador destes não é caro. É coisa para 2 ou 3 euros. Mas não é o preço que importa, mas sim a forma como fui tratado. As grandes superfícies são fantásticas em termos de suporte ao cliente, sobretudo no que diz respeito a trocas (onde o tal comércio tradicional perde em toda a linha).

Contudo, esta cena jamais aconteceria numa Rádio Popular, Worten, Vobis ou FNAC. Por muito muito bom que seja o seu serviço (e é), os seus funcionários trabalham “by the book” e este tipo de situação não vem nos livros. Requer sensibilidade e bom senso. O que sobra na loja da CPCnet de Odivelas e que tantas vezes falta ao comércio tradicional.

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