Blade Runner: The Final Cut em Blu-ray

51i33FK1S2L__SL500_AA240_ As reedições de música e filmes em formatos diferentes dos originais nem sempre é uma boa ideia – basta lembrarmo-nos dos primeiros CDs editados a partir de originais em LP ou de edições apressadas em DVD com conteúdo praticamente igual ao que já conhecíamos em VHS e com pouco ou nenhum valor acrescentado.

Tal como também nem sempre é uma boa ideia a reedição de filmes em “versão de realizador”, em que ficamos com a sensação de que, de facto, os produtores tinham razão ao terem originalmente obrigado o realizador a determinados compromissos comerciais em detrimento da sua ”visão artística”.

Neste último caso, surge-me imediatamente à memória Apocalypse Now Redux, em que Francis Coppolla consegue arruinar o que para mim era (e ainda é) um dos melhores filmes jamais realizados.

Mas vem tudo isto a propósito do lançamento em Blu-ray de um dos melhores e mais influentes filmes de ficção cientifica de sempre, Blade Runner que não sofre de nenhum destes problemas…

Há várias edições e reedições deste filme quer em DVD quer, mais recentemente, em Blu-ray. Segundo o próprio Ridley Scott, Blade Runner: The Final Cut é a sua versão preferida e a que considera ser a definitiva.

Vi há algumas semanas o filme em Blu-ray e só posso dizer que a experiência é gloriosa. A transcrição para 1080p, apesar de se tratar de um filme muito negro (metafórica e literalmente!) é irrepreensível e mostra que não só os efeitos especiais (o estado-da-arte da era analógica) não ficaram datados como demonstram que nada ficam a dever, bem pelo contrário, aos modernos efeitos CGI.

Mas o que faz de facto toda a diferença é a remontagem do filme – a tal final cut. De uma assentada, Ridley Scott livrou o filme de dois dos seus elementos mais irritantes (na verdade, para mim, os únicos que impediam que este filme ficasse no top 5 das minhas preferências): a voz off de Harrison Ford e o final feliz forçado.

Além disso, há também novas cenas que acrescentam de facto algo ao filme (ao contrário do que ficou de fora de Apocalypse Now e que Coppolla decidiu repescar para o seu Redux) e, no caso da edição em Blu-ray com dois discos, há conteúdos adicionais – incluindo um extenso documentário – que ajudam a enquadrar a obra e a dar-lhe (ainda) mais interesse.

Numa altura em que começam a vender-se leitores de Blu-ray por menos de 150 euros e que praticamente todos os televisores têm resolução 1080p, este é o tipo de edição imperdível e que mostra bem o quando se perde quando se pirateia um filme da Internet (ou se compra um disco na candonga) em vez de se investir numa edição comercial decente.

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