domingo, 29 de julho de 2012

Teste ao Nokia Lumia 900 - Parte 2: viver com o Lumia

A minha filha mais velha, ao ver o Lumia 900 pela primeira vez, chamou-lhe "um tablet", mas em utilização normal, a verdade é que não acho o smartphone demasiado grande – e eu que dizia que 3,7'' era o máximo razoável de ecrã...
O ecrã, conjugado com a interface inovadora do Windows Phone 7, é o aspecto mais saliente do Lumia 900 e a conjugação entre ambos oferece um conforto e experiência de utilização muito bons.
Antes de avançar mais, devo esclarecer que sou um pouco atípico no que diz respeito à forma como utilizo smartphones, o que faz com que dê importância a determinados aspectos em detrimento de outros.
Para começo de conversa, e ao contrário do que começa a ser a norma, ainda uso muito o telemóvel para... telefonar. É verdade. Uma excentricidade minha, admito. A par das funções de telefone propriamente ditas, a funcionalidade a que dou mais importância é a gestão do email. As mensagens – SMS e messaging do Facebook – vêm logo a seguir. Estas três funcionalidades constituem 75% da minha utilização do Lumia 900.
Os restantes 25% passam pela utilização da Internet, quer directamente através do browser, quer indirectamente através de apps como o Pulse e outras; câmara; redes sociais; e jogos.

Contactos, telefone e mensagens

Já muito se escreveu sobre a filosofia do Windows Phone 7 de agrupar funcionalidades por "hubs" e não por aplicações, pelo que não vou aqui aprofundar essa faceta. Mas a verdade é que funciona mesmo! A partir da tile Contactos é possível fazer quase tudo o que eu costumo fazer no smartphone – incluindo telefonar, enviar e receber mensagens (por SMS mas também através do FB, por exemplo), enviar emails e até interagir com os contactos através das redes sociais.
As apps para Facebook, Twitter e Linkedin, para falar apenas nas que mais uso, continuam a existir no Windows Phone 7, mas forma como são integradas no hub Contactos torna tudo bem mais funcional e rápido.
Por exemplo, a app Mensagens, que faz parte do sistema operativo, pode ou não ser integrada com o sistema de chat do Facebook, o que é muito prático, porque permite também que as notificações de novas mensagens sejam centralizadas num único local.

Email
A gestão de email é bastante boa, embora não espectacularmente superior ao que existe noutras plataformas. Algo que aprecio é a facilidade de unificar várias contas numa só caixa, o que torna prática a consulta de email de diversas proveniências – e é possível unificar não apenas contas do mesmo tipo (Gmail ou Hotmail, por exemplo) como também contas de diversos tipos.

Teclado

E já que falo em mensagens, uma nota para o teclado, que é muito, muito bom. Face ao que estava habituado no Android (Gingerbread), saliento a facilidade com que podemos comutar entre teclados de idiomas diferentes (português e inglês, no meu caso); o fácil acesso a caracteres especiais e de pontuação (pressionar longamente o ponto final traz um sub-menu com outros sinais de pontuação); o facto de que o Caps Lock se mantém activo mesmo depois de comutarmos para os caracteres numéricos (algo que me irritava no teclado do Android); e as sugestões de palavras, que surgem numa fila sobre o teclado e que podemos ignorar ou seleccionar à nossa vontade, e que são bastante acertadas, quer em Português, quer em Inglês.
Escrever neste teclado é mais rápido e fácil do que no teclado físico do meu antigo Nokia E75.

Câmara

Vamos a ver se nos entendemos sobre este assunto: a minha percepção sobre as câmaras dos telemóveis é toda a mesma. Ou seja, não prestam. Ponto.
A partir daqui podemos concordar em que algumas são um pouco melhores do que outras. Eventualmente, será este o caso da câmara do Lumia 900, mas não estou muito certo disso.
Há várias razões para que as câmaras dos telemóveis sejam todas más. A primeira razão é o tamanho do sensor de imagem. E quando falo em tamanho, refiro-me ao tamanho físico do sensor e não à sua resolução. O problema é, aliás, precisamente o da relação entre o tamanho do sensor e a sua resolução. A partir de um determinado ponto, quanto maior for a resolução da câmara (para um mesmo tamanho físico do sensor), pior. Não vou agora explicar porquê. Googlem (ou Binguem) se quiserem saber.
Este problema (de resto, insolúvel) é o principal responsável pelo maior problema das câmaras de todos os telemóveis: o ruído digital. É o ruído digital que torna estas câmara praticamente inusáveis em situações de pouca luz.
E por falar em falta de luz, temos aqui o segundo problema: salvo raras excepções, as câmaras não têm um flash digno desse nome, mas apenas um ou dois LEDs que fingem que são um flash. Se isto fosse uma boa solução para um flash (não é), todas as câmaras usariam este método.
O que nos leva ao terceiro problema (diria mais, limitação) das câmaras dos telemóveis: a óptica. Por muito bom que o grupo óptico (o conjunto de lentes) seja, falta-lhe a capacidade de zoom que qualquer compacta barata oferece. E não, o zoom digital não serve para nada, a não ser para degradar a qualidade das fotos.

Dito isto, a câmara do Nokia Lumia 900 tira boa fotos nas circunstâncias em que todas as outras câmaras de telemóveis e smartphones tiram boas fotos: ao ar livre e com boa luz, em situações que não suscitem a necessidade de usar um zoom. Ou seja, num restrito conjunto de situações.
Nem de propósito, ontem, numa visita ao Pavilhão do Conhecimento usei o Lumia para fotografar o mesmo motivo para o qual também usei uma Casio EX-ZR100, em ambos os casos sem flash. A foto do Lumia foi apagada de imediato devido a um caso grave de excesso de ruído digital; pelo contrário, a da Casio é perfeitamente razoável.

No entanto, as fotos ao ar livre e com boa luz, são bastante boas. Também em modo de vídeo, o Lumia 900 oferece excelentes resultados – aqui, comprativamente melhores do que no caso da fotografia, uma vez que não está a ser usada toda a superfície do sensor. E para quem acha que é um defeito apenas gravar vídeos em resolução 720p, contra as capacidades 1080p de alguns concorrentes, aconselho vivamente a comparar a qualidade de uns e outros resultados, porque irão descobrir que em muitos casos mais vale 720p com pouca compressão (Lumia) do que 1080p com demasiada compressão (vocês-sabem-de-quem-estou-a-falar...).

Ainda sobre a câmara, vale a pena salientar a inclusão (standard em todos os Windows Phone) de um botão dedicado para accionar a câmara (foto e vídeo), o qual pode até ser usado directamente a partir de um estado locked para activar o Lumia e podermos rapidamente tirar uma foto.

Bateria

O Nokia Lumia 900 não é melhor nem pior do que outros smartphones da mesma geração no que diz respeito à duração da bateria. Quer é como quem diz, é péssimo. Sim, é péssimo, tal como péssimos são todos aqueles que nos obrigam a carregar a bateria diariamente. O facto de nos termos habituado a ter de o fazer não o torna razoável.
O Lumia 900 tem um modo de poupança de bateria que pode ser activado manualmente ou ser activado apenas automaticamente quando a bateria atinge um estado de carga crítico. Em qualquer dos casos, são modos que se encontram desactivados por predefinição.
A minha experiência, com utilização normal e Wi-Fi activado, é que a bateria dura um dia de trabalho, de manhã até ao final do dia, devendo ficar a carregar durante a noite.
A razão pela qual o Lumia não se desliga (!) quando está a carregar transcende o meu entendimento, mas algures no mundo deve haver alguém que saberá qual a razão pela qual isso acontece.

EDIT: após 4 semanas a viver com o Lumia 900 descobri que, afinal, a bateria dura na verdade cerca de 1 dia e meio. O que sucedeu é que eu tinha (e tenho) 3 contas de email configuradas no Lumia e todas elas estavam programadas para receber email em tempo real – o que significa que estavam constantemente a sincronizar. Quando alterei para sincronizar cada 15 minutos, a duração da bateria quase que duplicou.










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