domingo, 2 de setembro de 2012

Um ecrã de 75'' por 3000 euros


No que diz respeito a televisores, tenho uma teoria muito própria: maior é sempre melhor.
O actual estado-da-arte em tecnologia de ecrãs planos garante que não há grandes diferenças de qualidade entre marcas e tecnologias (sobretudo plasma vs LCD) e a próxima mudança tecnológica - os painéis OLED - está ainda muito distante e é ainda muito cara. Além disso, no que diz respeito ao OLED, tudo indica que as primeiras gerações de painéis serão relativamente pequenas.
O que se passa com o tamanho dos televisores é que ao longo dos anos muitos foram os que nos tentaram convencer que existe um tamanho certo para a nossa sala de estar, que devemos respeitar fórmulas entre distância de visionamento e tamanho da diagonal.
Pois eu tenho notícias para vocês: esqueçam isso. O nosso ponto de referência deve ser o cinema. E no cinema nunca ninguém se queixou do tamanho da tela - a menos que não seja suficientemente grande! O mesmo acontece em casa. Num período de 3 anos passei de um CRT panorâmico Philips de 26'' para um LCD Full HD Toshiba de 32'' e para um plasma Panasonic de 50''. E só não estou arrependido de ter optado pelo modelo da Panasonic de 65'' porque o preço era três vezes superior ao de 50''...
A verdade é que a única boa razão para não termos todos um enorme ecrã na sala é... o preço. Por exemplo, o belo LCD de 75'' da foto custa uns módicos 17.000 dólares. Consegui encontrar na Amazon dos EUA um televisor do mesmo tamanho, da Mitsubishi, a um preço bastante razoável. Mas é um modelo que não se encontra à venda por cá e, de resto, a julgar pelos comentários de quem comprou, a sua fiabilidade não parece famosa.
Além disso, um televisor de 75'' (quase 2 metros de diagonal, para quem gosta de fazer contas) tem alguns problemas adicionais além da dimensão e do preço: o peso, por exemplo; e o consumo de energia. O peso é especialmente complicado, porque obriga a pensar como é que vamos instalar o ecrã (na parede ou sobre uma mesa) e torna-se um pesadelo se e quando se avariar e for preciso levá-lo a reparar.
Como conseguir então um ecrã enorme sem os problemas (e o custo) de um ecrã enorme? Eu explico.

Uma solução projectada

A minha ideia é simples: esqueçam os televisores e apostem num projector. Sim, eu sei que não é "rocket science" e que muita gente opta por esta solução, especialmente para ver filmes. Mas a minha sugestão não é a de conjugar um televisor convencional (LCD ou plasma) com uma tela, mas sim substituir totalmente o televisor pelo videoprojector.
Até há pouco tempo isto era impossível ou, no mínimo, demasiadamente complicado e/ou caro de implementar. Mas a tecnologia é uma coisa maravilhosa e o que era impossível ontem torna-se possível hoje.
Na minha opinião, o que torna um videoprojector convencional pouco prático na substituição total de um televisor é a tecnologia da lâmpada: um videoprojector demora algum tempo (30 segundos a um minuto) até conseguir projectar a imagem, devido à necessidade de aquecimento da lâmpada. E, no momento de desligar, é também necessário algum cuidado, porque a lâmpada requer um período tão grande ou maior para arrefecer (em caso de súbita falta de energia, o mais certo é a lâmpada rebentar, por falta de ventilação).
Além disso, numa utilização intensiva como é a de estar constantemente a ligar e a desligar o televisor/projector, uma lâmpada dificilmente dura mais do que dois anos - e estou a ser optimista. Pior: ao longo do seu (reduzido) período de vida, a lâmpada vai perdendo o brilho, pelo que a qualidade de imagem com a lâmpada nova não é constante. E estas são lâmpadas caras: em alguns casos, chegam a custar um quarto do preço do projector.

Projectores de nova geração

Existem já videoprojectores de cinema-em-casa com sistemas de luz baseados em LED que resolvem parte destes problemas, designadamente o on/off instantâneo e a longevidade - duram cerca de 20.000 com qualidade praticamente constante, ou seja, cerca de 10 anos em utilização regular.
Contudo, os videoprojectores LED para cinema-em-casa, sendo excelentes, são ainda muito caros (e o factor "preço" era um dos que à partido nos fez optar por este cenário). Além disso, sendo destinados a cinema-em-casa, são projector com um brilho relativamente baixo, pois assumem que as condições de visualização são as da típica sala de cinema - com pouca ou nenhuma luz.
Ora para substituirmos um televisor por um videoprojector, temos de aceitar que a sala é a nossa sala de estar normal, com variadas condições de luz, para visionamento durante o dia e durante a noite.
Há cerca de 3 anos, a Casio surgiu com uma nova tecnologia que conjuga a luz LED com a luz laser. Hoje já na sua terceira geração, esta tecnologia permite criar videoprojectores com os requisitos anteriormente descritos (on/off instantâneo, preço razoável) mas com alto brilho, o que os torna ideais para o cenário pretendido.
No caso da Casio, estes equipamentos têm apenas uma limitação, que é a de oferecem uma imagem compatível com Full HD (ou seja, podem receber sinais 1080p) mas que é nativamente 1280x800 (o que é normalmente designado por WXGA).
É previsível que a marca japonesa venha a aumentar a parada brevemente com modelos 1080p, tanto mais que a Acer acaba de anunciar um modelo, o K750, que conjuga um motor de luz híbrido LED+laser com resolução 1080p nativa, embora oferecendo um brilho que, sendo razoável (1500 ANSI lúmen), é cerca de metade do que é possível encontrar na Casio.

As peças que faltam

Claro que faltam ainda algumas peças para compormos este puzzle de 75''. A primeira é que um videoprojector não é um televisor. Eu sei que isso é óbvio, mas o que quero dizer é que um videoprojector não possui um sintonizador de TV integrado, pelo que esta é uma solução que, para funcionar, precisa de uma fonte de TV tipo Zon/Meo/Cabovisão/...
Outra coisa que é necessária - e que um televisor providencia de forma integrada - é o som. É algo que poderá ser resolvido de forma elegante com um sistema de barra de som, por exemplo (como o Cinemate 1 SR, da Bose), ou por qualquer outro sistema semelhante que nos permita ter som no plano de projecção.
Depois, é preciso pensar na forma de levar o sinal das fontes (a set-top-box, a consola de jogos, o leitor de Blu-ray...) ao videoprojector, o que poderá levantar alguns problemas logísticos adicionais. Se não puder/quiser usar cabos, uma forma fácil é usar a tecnologia wireless HDMI. A Gefen tem soluçóes interessantes, com a vantagem de que o elemento receptor suporta até três fontes emissoras.
Finalmente, acho que uma solução destas jamais ficaria completa sem uma tela decente - projectar na parede não é uma boa ideia. Há imensas marcas de telas no mercado mas uma das minhas preferidas é a belga Beamax. O modelo 10214A serve perfeitamente.
Ah, e vai precisar de um suporte de tecto, mas essa será uma das peças mais baratas.

O resultado final

O preço final de um sistema destes depende de quais os componentes escolhidos, e sobretudo do preço do videoprojector, que é a peça mais cara. Contudo, o resultado será sempre o mesmo: um sistema de imagem de grande formato - falei em 75'' porque é esse o equivalente mais razoável do lado dos televisores, mas a vantagem é que pode ser muito mais! - a uma fracção do preço de um ecrã LCD ou plasma com o mesmo tamanho.
No título referi o valor de 3.000 euros, mas claro que pode ser um muito mais ou um pouco menos, dependendo dos componentes escolhidos.
Mas em termos de preço, algum do investimento é fixo e não sujeito a desgaste (caso da tela); outro até poderá já possuir (caso do sistema de som), pelo que o custo de actualização e/ou substituição futura é apenas o do videoprojector propriamente dito.

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Nota: muitas das marcas que citei são clientes da minha empresa de consultoria, caso da Bose, da Casio, da Acer ou da SIM2.

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