terça-feira, 6 de maio de 2014

Nokia 515: o melhor telemóvel de sempre?

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Quando o Nokia 515 foi anunciado, em 2013, a esmagadora maioria dos comentários e artigos que li foram negativos. Aparentemente, num mundo em que todos parecem gostar do mesmo (vocês sabem do que falo…), a ideia de um telemóvel (não podemos realmente chamar smartphone ao Nokia 515, mas já lá vamos) que custa o mesmo (ou até mais) que muitos Androids ou até Lumias de gama baixa parece não fazer sentido.
Mas faz. Faz porque o Nokia 515 foi criado para preencher um nicho que, sendo provavelmente pequeno, existe: o dos que pretendem um telemóvel de alta qualidade mas que procuram sobretudo autonomia, simplicidade de operação e que desprezam ecrãs tácteis. Um telemóvel com uma câmara fotográfica decente que também possa servidor de leitor de música, mas sobretudo um telemóvel para telefonar, enviar e receber mensagens e… pouco mais.
O mercado está neste momento dividido entre smartphones sofisticados e simples telemóveis (“dumb phones” ou “feature phones”, o que lhe queiram chamar), mas dividido de forma a que cabe aos telemóveis o papel de gama (muito) baixa. Ou seja, quem hoje faz questão de ter um equipamento simples e fácil de usar, com teclado e sem “floreados” tem de se contentar com um dispositivo baratucho produzido em plástico de qualidade duvidosa (há plástico e… plástico!, como o podem comprovar os felizes possuidores de um Nokia Lumia) e com um mínimo de funcionalidades.
O Nokia 515 é um telemóvel 3G dual band simples e fácil de usar mas que oferece uma excelente qualidade de construção com um corpo em alumínio e ecrã protegido por Gorilla Glass de 2.ª geração, resistente aos riscos. A câmara fotográfica é de 5 MP com flash de LED (uma funcionalidade inexistente até em muitos smartphones do mesmo preço). Existe uma versão Dual SIM. Tem leitor de cartões microSD até 32GB. E a bateria é como o coelhinho da Duracell: dura, dura, dura…

Na prática

Há cerca de duas semanas, a Nokia Portugal fez-me chegar um destes telemóveis para testes, para que as minhas impressões iniciais quando soube do produto pudessem ser confirmadas (ou não) na prática.
A sensação inicial quando se pega no telemóvel é o seu peso: uma vez que é produzido sobretudo em alumínio, é mais pesado do que imaginaríamos (101 gramas), mas no bom sentido – aquele tipo de peso que nos faz sentir que estamos na presença de um produto de qualidade.
Ao usar o Nokia 515 com o meu SIM, a primeira coisa que fiz foi transferir os contactos do meu Nokia Lumia 820. Isto é feito de forma muito simples, via Bluetooth, através de uma app adequadamente chamada Transfer, a partir do Nokia 515. O processo é feito em três passos (cópia, confirmação e gravação) e os quase mil contactos do meu Lumia foram transferidos sem problemas em cerca de 5 minutos.
Os meus primeiros smartphones foram um Nokia N80i e um Nokia E75, ambos com sistema operativo Symbian. O Nokia 515 utiliza o Series 40 que, apesar de ser tecnicamente distinto do Symbian, tem uma lógica de utilização e navegação interna muito semelhante, pelo que a sua personalização me pareceu fácil; em poucos minutos já me sentia à vontade a utilizá-lo. Apesar do sistema operativo S40, a verdade é que este “telemóvel” passaria bem por um “smartphone” há apenas alguns anos.

O novo 6310i?

O último telemóvel Nokia que usei e de que ainda guardo grandes saudades foi o 6310i. É tão bom que ainda se encontra à venda novo (NOS – New Old Stock) na Amazon e na eBay por… cerca de 150 dólares! De alguma forma, o Nokia 515 lembra-me o meu saudoso 6310i. É o que eu chamaria de purposeful: tudo no seu desenho transpira funcionalidade. As funções que possui são as que têm de lá estar; as que não tem, não servem o objetivo para o qual foi criado.
E o que é que não tem? Como já vimos, não tem Symbian, mas o mais básico S40. Porquê? Porque o S40 chega para aquilo para o qual foi desenhado – para ser simples de usar e não gastar energia em funcionalidades acessórias. O mesmo quanto à conectividade: é 3G dual band (útil para quem viaja) e tem Bluetooth 3.0 mas… não tem Wi-Fi. Tem mesmo assim Facebook e Twitter mas é mais para desenrascar do que para usar.
Admito que a lacuna do Wi-Fi seja difícil de engolir para alguns potenciais interessados, mas imagino que a equipa da Nokia que criou o 515 tenha tido de traçar uma linha algures: vamos incluir isto, aquilo não faz sentido… E o Wi-Fi ficou do lado do que não faria sentido dado o mercado-alvo deste telemóvel.
Também o preço (em Portugal, é um exclusivo da Vodafone Negócios, que o propõe a partir de €20 ou €121 sem contrato) não me parece excessivo. A comparação com smartphones mais baratos, que oferecem mais por menos, não tem em consideração que este é um produto premium para quem menos é mais.
No final, a única queixa que encontro tem a ver com software e não com hardware: o Nokia 515 possui funcionalidade através de apps integradas para realizar backup da sua informação mas é inconcebível que a Nokia não suporte o 515 nem no Nokia Suite nem sequer no PC Suite, aplicações que para muita gente é ainda a razão para usar um Nokia. Com o PC Suite conseguimos apenas ligar o 515 no “modo modem” (o qual permite a um PC ligado ao telemóvel através de cabo ou de Bluetooth usar o modem 3G interno para aceder à Internet). É um truque giro, admito, mas sinto falta de um “modo PC Suite” completo como nos meus velhos Nokia com Symbian.

Conclusão

Desde o início que sabia que o Nokia 515 não é uma máquina para mim – estou muito satisfeito com o meu Lumia 820. A questão era saber se fazia de facto sentido para quem procura um telemóvel. E a resposta, como já devem ter percebido, é um sonoro “sim”.
Este é um telemóvel que imagino ser o ideal para muitas pessoas que conheço e que não se entendem com smartphones nem ecrãs tácteis mas querem um produto de qualidade. Essas pessoas não querem o Wi-Fi para nada e não tinham interesse em usar o PC Suite para sincronizar informação com o telemóvel, como eu fazia nos tempo do 6310i. Para elas, o Nokia 515 é simplesmente perfeito e, com o futuro da divisão de dispositivos da Nokia nas mãos da Microsoft – cujos planos passam sobretudo pela gama Lumia – este é bem capaz de ser o derradeiro telemóvel da Nokia.

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