Em 2026, parece ter-se generalizado a ideia de que “toda a gente” está a deixar o Windows 11 e a optar pelo Linux. Só que, uma vez mais, e à semelhança do que acontece desde [checks notes…] sempre, tal está muito longe de corresponder à realidade.
O problema com esta ideia é que é popularizada pela pequeníssima percentagem de entusiastas que criam opinião na Internet no setor da tecnologia. É algo que é particularmente óbvio no YouTube e Reddit, por exemplo. No subreddit r/Thinkpad, onde eu mantenho alguma atividade, em 95% dos casos, a primeira coisa que se sugere a alguém que compra um Thinkpad (normalmente usado) é “install Linux!”
Desde sempre que tive uma postura relativamente ao Linux que mantenho até hoje, embora com algumas nuances de que falarei mais adiante. A principal é simples: ninguém usa sistemas operativos; o que as pessoas usam são aplicações. E, a menos que a aplicação de que precisamos corra melhor em Linux do que em Windows ou MacOS, então sim, devemos instalar Linux na nossa máquina (e já nem vou falar de situações em que, devido à falta de suporte das aplicações, é preciso mesmo correr versões do Windows completamente obsoletas).
Acontece, contudo, que a esmagadora maioria das pessoas também não instala sistemas operativos. Isso é coisa de geeks como eu – e vocês que me estão a ler. As pessoas “normais” compram um computador (Windows ou MacOS) e usam-no com o sistema operativo que ele traz até… o computador morrer. E, depois, compram outro.
O apocalipse Windows 11
Inicialmente, a Microsoft sugeriu que o Windows 10 seria “o último Windows”, no sentido de que o sistema operativo passaria a ser um serviço atualizado em permanência. Mas todos sabemos que assim não foi. Pior, o Windows 11 surgiu com uma série de requisitos que, sob o argumento da segurança, parecem sinceramente ser arbitrários e… irão deitar para aterros sanitários milhões de computadores em todo o mundo que podiam ainda ser usados sem quaisquer problemas se a Microsoft não deixasse de fornecer atualizações de segurança ao Windows 10.
Mas, mesmo no caso das máquinas que podem ser atualizadas para
Windows 11, a Microslop
Microsoft continua a piorar a experiência de utilização, seja ao banir a
possibilidade de usarmos
contas locais, seja ao forçar-nos a usar funcionalidades de IA que nunca
ninguém pediu, ou à quantidade de telemetria
ligada por default, que roça o spyware.
Neste contexto, concordo com a ideia de que, se calhar, mudar para Linux não é uma má ideia! É certo que as pessoas continuam a não usar sistemas operativos, mas sim aplicações, mas quando o sistema operativo que suporta essas aplicações começa a ser um fator de atrito, então é preciso fazer alguma coisa.
O Linux já não é o que era – e isso é bom
Para quem quer dar o salto, há boas notícias. Sim, por um lado a proliferação de distribuições continua a ser um fator que dificulta a escolha e cria alguma confusão entre quem, pela primeira vez, considera a opção de instalar o Linux. Mas não precisa de ser assim. E nem sequer tem de ser uma substituição completa – na maior parte dos casos, é bastante simples criar um sistema dual boot.
Pessoalmente (sendo certo que tenho uma experiência limitada com Linux), optei pelo Kubuntu, ou seja, a variante do Ubuntu com a interface gráfica Plasma, no meu Thinkpad T480s. Isto porque o Ubuntu/Kubuntu é diretamente suportado pela Lenovo, o que minimiza a possibilidade de problemas com o processo de instalação, drivers, etc.
Além disso, algumas apps da QNAP que utilizo foram criadas especificamente para Ubuntu, o que também contribuiu para a minha decisão.
Posso dizer que o processo de instalação foi efetivamente muito simples – tanto ou mais do que instalar Windows numa máquina “limpa” – sem qualquer necessidade de recorrer à linha de comandos. No final, todo o meu hardware foi corretamente reconhecido e estava funcional, incluindo a minha impressora de rede, a placa de rede LTE/4G integrada e o famoso trackpoint dos Thinkpad. Sinceramente, zero problemas!
A experiência Linux
Sinto que qualquer pessoa cujas necessidades incluam usar aplicações tipo Office, email e um browser para a Internet, nada tem a perder mudando para Linux. Na verdade, pode até ter bastante a ganhar! Sei das limitações no que diz respeito a outras aplicações, bem como no caso dos jogos, mas eu não sou gamer e também não uso muitas apps fora daquelas que referi acima.
Além disso, para quem tenha uma máquina que não possua os requisitos necessários para ser atualizada para Windows 11, pode mesmo não ter outro remédio!, sendo que a alternativa é deitar o PC para o lixo. Ou depositá-lo no Electrão.
Pessoalmente, estou sinceramente farto da Microsoft e do Windows. Utilizei todas as versões, desde a 1.x em PCs com dois leitores de disquetes e sem disco rígido, fui beta tester desde o Windows 3.11 ao Windows 7, escrevi livros sobre o Windows. Mas estou farto. Estou farto de ter de lutar contra o sistema operativo, de desligar coisas que não me interessam e de ser obrigado a usar coisas que não quero.
Acho que instalação do Kubuntu no meu Thinkpad, ainda que em dual boot para já, veio para ficar. Mas, voltando ao início, tenho um problema: uso aplicações e não sistemas operativos. Ora a aplicação que é mais importante para mim, devido ao meu trabalho, é o Outlook. E, ao contrário do que podem ter lido por aí, o Outlook não tem paralelo. O Outlook não é um cliente de email, é muito mais do que isso e não, o Thunderbird não é um substituto para mim.
Também já usei o Bluemail – excelente sobretudo em Android – mas apenas como gestor de email, e gosto bastante. Mas a integração de contactos e agendas partilhadas, bem como o suporte para plug-ins que são cruciais para a forma como eu trabalho, não permite (ainda), a sua substituição.
Mas está por um fio. Se surgir uma verdadeira alternativa ao Outlook no futuro, nada me fará manter o Windows instalado em qualquer dos meus computadores. Porque a paciência tem limites, mesmo para os mais empedernidos fãs da Microsoft, como eu fui num passado não muito distante.

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