Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Informática, custos e investimentos

A notícia de que o Governo Português, liderado por Miguel Relvas, pretende reduzir a menos de metade os custos com informática é algo que só pode ser recebido com um misto de perplexidade e inquietação.

A notícia do Público é pequena e parca em pormenores, mas através dela ficamos a saber muitas coisas, quer pelo que ela diz, quer pelo que omite.

A saber:
  1.  O Governo Português considera a informática como um custo e não como um investimento;
  2. O Governo Português, ao contabilizar aquilo que gasta/investe, ignora os benefícios desse gasto/nvestimento;
  3. O Governo Português considera negativo que os custos em informática tenham aumentado;
  4. Entre outras coisas, o Governo Português pensa que a opção por software Open Source é equivalente a poupar dinheiro;
  5. O Governo Actual retoma, e bem, o projecto de concentração de recursos de hardware que já tinha sido anunciado pelo Governo Anterior.
É bom lembrar que tudo isto acontece numa altura em que este mesmo governo insiste -- e com razão -- no tema da "produtividade" como forma de sairmos da crise em que nos encontramos.

O tema do dinheiro investido (e não apenas gasto) em informática é-me bastante querido, pois a minha empresa, caso não tivesse realizado os investimentos em sistemas de informação que fez desde 2007 pura e simplesmente... não existiria, por incapacidade de competir. É através destes investimentos que conseguimos produzir tanto com recursos comparativamente tão pequenos e, em função disso, oferecer serviços competitivos e de qualidade aos nossos clientes.

Ora só os mais cínicos é que podem achar que o mesmo não tem acontecido nos últimos anos na nossa Administração Pública. Ou será que as Lojas do Cidadão surgiram do ar? Ou que é possível criar uma empresa em 1 hora (como eu criei a minha) porque há mais pessoas sentadas à secretária a preencher formulários...?

E, já agora, quantos milhares de horas se pouparam -- ou seja, se ganharam, se traduziram em aumentos de produtividade -- só porque imensos serviços que eram anteriormente prestados presencialmente podem agora ser concretizados através da Internet...? Atrevo-me a dizer que o país provavelmente ganhou muitos mais milhões do que aqueles que "gastou" a modernizar a Administração Pública...

Finalmente, sobre a questão do software Open Source, é bom reposicionar a discussão como ela deve ser reposicionada: os investimentos em projectos de TI devem ser feitos utilizando o melhor software disponível -- quer este seja comercial ou Open Source ou uma conjugação de ambos.

Dito isto, não me custa a imaginar que terá havido maus investimentos e dinheiro mal gasto em informática nos últimos anos -- o mesmo terá certamente acontecido em inúmeras outras áreas, e não acho que a das TIs tenha sido imune. Como tal, esses eventuais sobrecustos e maus investimentos deverão ser investigados e corrigidos.

Agora agitar a bandeira dos cortes drásticos nos investimentos em informática como se isso fosse uma coisa positiva é algo muito diferente: é algo muito grave. Grave porque demonstra que quem neste momento nos governa não faz a mínima ideia do que está a fazer e, pior do que tudo, confunde gastos com investimentos, ignorando que se os excessos dos primeiros podem empobrecer-nos, não realizar os últimos pode arruinar-nos.

 
P.S.: Há dias fiz um caso de estudo para um cliente sobre um projecto que envolveu um investimento da ordem dos 500.000 euros, incluindo não apenas o software mas também a implementação do projecto, que foi feita por uma consultora externa. O projecto, uma vez implementado a 100%, irá trazer uma poupança de custos a 3 anos de cerca de... 5 milhões de euros. Uma poupança em tempo, dinheiro, recursos humanos, produtividade ganha e maior qualidade dos resultados. Exemplos destes tenho-os aos molhos e exemplificam bem o poder da informática e a sua capacidade em reduzir custos.

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

O Triunfo do iTunes *

A propósito da morte de Steve Jobs muito se escreveu sobre a sua genialidade e o design dos produtos Apple, sobretudo desde 1998, ano do lançamento do primeiro iMac.
Contudo, aquela que é, quanto a mim, a principal chave do sucesso da Apple na última década teve comparativamente muito pouco destaque. Falo, claro, do iTunes – não o leitor/gestor multimédia, mas sim da loja online com o mesmo nome, lançada em 2003.

Importa recuarmos um pouco no tempo para nos lembrarmos como o iPod original foi uma pedrada no charco no início deste século. Até à chegada do primeiro iPod, os dispositivos portáteis de reprodução de áudio digital dividiam-se em dois grupos: os pequenos tinham muito pouca capacidade de armazenamento; e os que ofereciam capacidades da ordem dos gigabytes eram demasiado grandes. E todos eles eram difíceis de usar.

Com o iPod, a Apple resolveu de uma só vez estes problemas, ao oferecer um dispositivo elegante, pequeno, fácil de usar e com uma enorme capacidade de armazenamento – fruto de um acordo que a marca fez com a Toshiba, a quem comprou todo o stock de pequenos discos rígidos de 1,8’’ com 5 GB, deixando o resto do mercado sem capacidade de reacção.

Mas isto foi em 2001 e só em 2003 é que o iPod ganhou efectivamente tracção no mercado. Uma das razões prendeu-se com o facto de os primeiros modelos terem apenas uma interface FireWire, rara no mundo dos PCs, o que limitava a sua utilização. Mas a segunda razão foi o lançamento da iTunes Store em 2003, que efectivamente veio a mudar o mundo da tecnologia tal como o conhecemos.

O que a Apple fez com o iTunes foi transformar o que era até aí um produto do mundo da informática – o leitor de áudio digital – e transformá-lo num produto de electrónica de consumo. Nesse sentido, o iTunes é mais do que uma loja – é uma revolução.

Com o iTunes, Steve Jobes e Apple fizeram várias apostas que, na altura, estavam longe de ser “favas contadas”. A primeira, e talvez a mais importante, foi a de considerar que se fosse dada ao consumidor a possibilidade de adquirir “músicas” (por oposição a “álbuns” inteiros) a baixo preço e de forma simples e praticamente imediata, muitos seriam os possuidores de iPods que estariam dispostos a fazê-lo.

Ganha esta aposta, o resto, como se costuma dizer, é história. Mesmo admitindo que, com o tempo, surgiram no mercado melhores e mais baratos leitores de música digital, nenhum outro produto oferecia a experiência completa do iPod+iTunes.

Revolução, redux

A segunda parte da revolução chegou em 2007, com o primeiro iPhone. Uma vez mais, mesmo considerando que a Apple apresentou um dispositivo que, perante a sua concorrência, era ainda mais revolucionário do que o iPod (tanto mais que, ao contrário do que sucedera em 2001, em 2007 o mercado dos dispositivos móveis podia ser considerado como estando já num razoável estado de maturação e estabilidade), seria o iTunes a fazer a diferença.

O que a Apple faz com o iPhone foi muito mais do que apresentar um smartphone com uma interface revolucionária. O que fez foi alterar as regras do jogo. Como? Compare-se o iPhone original com o melhor terminal Nokia da altura, o N95, e o primeiro sai a perder se consideramos apenas as funcionalidades integradas no terminal.

Mas o que a Apple fez foi alavancar o iPhone com o iTunes, posicionando-o também como uma loja de aplicações. A ideia de que “There’s an app for that” (“há um programa para isso”) é, uma vez mais, genial. Neste sentido, o smartphone parte da ideia do computador – a máquina que sem software não serve para nada – para oferecer um dispositivo de electrónica de consumo que herda as virtudes do iPod de elegância e facilidade de utilização, mas juntando-lhes a potencialidades ilimitadas de um computador pessoal.

Enquanto isto, o resto da indústria, apanhada completamente de surpresa, perdeu anos (!) preciosos a emular a interface e mais tempo ainda a tentar replicar o conceito de loja online com aplicações capazes de aumentar a funcionalidade do dispositivo.

Não terá sido certamente por acaso que no mesmo ano de 2007 em que lança o iPhone, a Apple deixou de se chamar “Apple Computer Inc.” para passar a chamar-se apenas “Apple Inc.” A Apple é hoje muito mais do que uma empresa de informática. Ou, melhor dizendo, é a primeira empresa que pode assumir-se verdadeiramente como de “convergência”, no sentido da fusão entre os mundos da informática e da electrónica de consumo.

Assim fica bem mais fácil perceber porque é que o próximo mercado que a Apple pretende atacar seja a epítome da electrónica de consumo – o dos televisores. E se o pequeno dispositivo Apple TV se pode efectivamente considerar como um dos (poucos) fracassos da Apple nos últimos anos, um televisor Apple é algo bem diferente e que me deixa intrigado.

Se eu fosse responsável da Sony, da Samsung, da Panasonic ou da LG, mais do que intrigado, estaria preocupado. Porque todos nós já aprendemos que a Apple é uma empresa que não deve ser subestimada. E porque o iTunes pode bem vir a ser a peça que falta para criar o televisor do futuro.

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* Texto publicado originalmente no Fibra.

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Negócio arriscado *


Não é preciso que artigos de opinião como este proclamem que o Windows 8 é a aposta mais arriscada de sempre da Microsoft. Foi o próprio Steve Ballmer que o disse, publicamente, em Outubro do ano passado.


Por isso resta-me apenas confirmar: é mesmo. A passagem do DOS para o Windows foi a passagem de uma "não interface" para uma interface gráfica; a passagem do Windows 3.x para o Windows 95 foi a evolução de uma má interface gráfica para um paradigma que já todos conheciam desde 1984, com o Macintosh. E tudo o que se passou com o Windows desde então tem sido apenas mais do mesmo - o Windows 7, com o qual a Microsoft se reconciliou com quem achava que o Vista era a pior coisa à face da Terra, não é mais do que um Windows 95 melhorado.
Claro que estou a falar apenas da interface, porque enquanto o Windows 95 tinha as suas raízes no MS-DOS, desde o Windows XP que o código do sistema operativo mais usado em todo o mundo provém do Windows NT, criado de raiz pela Microsoft em 1993.


Acontece que, para a esmagadora maioria das pessoas, a interface é o sistema operativo. É através dela que temos acesso às funcionalidades do computador, é com ela que interagimos com a máquina, com a qual introduzimos e recebemos informação. Para o comum dos humanos é irrelevante se o que está sob o desktop do Windows 7 é o NT ou o DOS, da mesma forma que a maioria dos utilizadores de Macintosh ignora que a interface do MacOS X repousa sobre código de Unix.
A importância da interface


É sob o ponto de vista da interface que me parece que as declarações de Steve Ballmer são de facto certeiras. O Windows 8 é, realmente, a aposta mais arriscada de sempre da Microsoft. Não só porque irá expor os utilizadores a um paradigma completamente diverso daquele a que estão habituados, mas porque o mundo de 2012 (data prevista para o lançamento da próxima versão do Windows) é muito diferente daquele que tínhamos em 1995.
Hoje, a massa crítica é imensa, estimando-se que desde 2008 tenha sido ultrapassada a marca dos mil milhões de utilizadores de Windows em todo o mundo. Ora quando estamos a falar de um número tão astronomicamente grande de utilizadores, é evidente que o que quer que façamos irá aborrecer muita gente.


Mas vamos por partes. A versão do Windows 8 que a Microsoft mostrou ao mundo no dia 13 de Setembro é destinada sobretudo aos programadores, para que estes possam começar a desenvolver aplicações de forma a que no final de 2012 o Windows 8 possa ter já disponível um razoável catálogo de software criado de raiz para dele tirar partido.


Mas o rótulo de "developer preview" deste Windows 8 significa também que está bastante longe da sua forma final. Quanto longe? Para colocarmos as coisas em perspectiva, a versão do Windows 7 divulgada no mesmo ponto do tempo no calendário de desenvolvimento, não tinha sequer a nova barra de tarefas e o "modo XP" só surgiu mesmo como surpresa de última hora na versão final. Para todos os efeitos, esta versão nem "beta" é.
Até ao Windows 7, a Microsoft desenvolvia versões beta do Windows que estavam praticamente completas em termos de funcionalidade mas tinham imensos bugs que iam sendo "limados" ao longo do processo de desenvolvimento. Com o Windows 7, a gestão de desenvolvimento foi alterada o critério passou a ser o de incluir nas versões que iam saindo apenas funcionalidades que estavam prontas; o que se encontrava ainda "preso por arames" era deixado de fora até à próxima iteracção.


Isso significa que o Windows 8 que temos agora, apesar de estar ainda longe do fim é relativamente estável mas não está ainda completo em termos de funcionalidades. Dito isto, há muita coisa que está pronta, e é essa que me levanta pessoalmente muitas questões.
Um novo paradigma

A nova interface do Windows 8, que parte de uma linguagem de design gráfico apelidada internamente de "Metro", não é apenas um refinamento do que conhecemos desde 1995 - é algo totalmente novo. Só os (poucos…) utilizadores de smartphones com Windows Phone 7 se sentirão mais à vontade. Para os outros, especialmente os que instalarem o Windows 8 num PC sem ecrã táctil, tudo parecerá estranho. Estranho e… pouco funcional.
Ao contrário do que se chegou a pensar, nada indica que o Windows 8 terá duas interfaces. Tudo parece apontar para que a interface optimizada para ecrãs tácteis ("touch first interface", como a Microsoft gosta de lhe chamar) seja a interface predefinida em todos os tipos de equipamentos.


É verdade que continuamos a poder encontrar um desktop clássico, mas como o botão Iniciar tem o mesmo efeito em qualquer das interfaces, iremos descobrir rapidamente que nada funciona como o esperado. Para mim, a falta do acesso directo aos programas e respectivos grupos de aplicações é o elemento mais estranho. E o pior é que não creio que seja uma questão de hábito até aprendermos a lidar com a nova interface.
A Microsoft diz que a interface do Windows 8 é tão fácil de usar numa interface táctil como num contexto de teclado+rato, mas a minha experiência preliminar com o novo Windows ainda está por demonstrar a validade dessa afirmação.


O melhor e o pior
Uso o Windows desde a versão 1.0. Fui beta tester de todas as versões desde o Windows 3, estive em Seattle na apresentação oficial do Windows 95 e escrevi vários livros sobre o Windows, incluindo as versões XP, Vista e 7. Reconheço que a Microsoft tinha de fazer algo para manter o Windows relevante durante os próximos anos, num mundo de rápidas mudanças tecnológicas. Mas confesso que nada me preparava para o Windows 8.


É tudo mau? Nem por sombras. Com o Windows 8, a Microsoft conseguiu já ultrapassar obstáculos que eu julgava intransponíveis, como é o caso de criar um sistema operativo que corre da mesma forma em sistemas Intel x86 e em novos dispositivos baseados em processadores ARM de baixo consumo, usados em smartphones e tablets - e tudo isto com uma interface de programação que permite que as (novas) aplicações corram da mesma forma em qualquer uma das versões.
Por outro lado, pôr lado-a-lado o Windows 8 e um tablet com iOS ou Android é perceber que o primeiro representa o futuro e os outros estão ainda a olhar para o passado. O Windows 8 parece uma entidade viva enquanto os outros dois nos mostram uma interface que é pouco mais do que uma matriz de ícones estáticos.


O Windows 8 é mais rápido e requer menos hardware do que versões anteriores e, mesmo sob esta forma ainda incipiente, é rápido e fluido, mesmo em máquinas antigas optimizadas para o Windows 7. E a versão igualmente "preview" do Internet Explorer 10 é rápida e tem uma nova interface Metro muito elegante e prática.
Finalmente, é justo também dizer que a interface Metro do Windows 8 é um prodígio conceptual no sentido de se adaptar igualmente bem a pequenos ecrãs de smartphone, a tablets um pouco maiores e terminando em gigantescos ecrãs de televisão (via Xbox, que vai ser actualizada ainda este ano para uma interface "Metro").


Ou seja, a nível técnico, nada tenho a apontar ao que já se pode experimentar desta nova aposta da Microsoft. A minha dúvida está na interface e em saber o que ainda irá acontecer até à versão final, sobretudo para quem usa o PC de forma tradicional, com teclado e rato.
Porque quando estão em causa os hábitos de trabalho de mil milhões de pessoas, a margem para algo correr mal é muito, muito grande. Até que ponto? Digamos que aborrecer 10% dos utilizadores de Windows é igual a deixar descontente a totalidade dos utilizadores do segundo sistema operativo mais usado.


O que, dito desta forma, até parece ser muita gente.


* Texto publicado originalmente no Tek.Sapo.

Sábado, 3 de Setembro de 2011

Como tirar partido do SkyDrive

Com todas as atenções centradas na Apple e na Google, a Microsoft tem cada vez mais dificuldade em chamar a atenção para muito do que vai calmamente fazendo e disponibilizando aos utilizadores - em muitos casos até de forma gratuita. É o caso da actual geração de ferramentas e funcionalidades da família Windows Live, que integra o Messenger (ex-MSN Messenger, actualmente apelidado de Windows live Messenger), o Hotmail e uma das minhas preferidas: o SkyDrive. Qualquer pessoa com uma conta no Hotmail tem já disponível o SkyDrive, bastando para tal aceder com o seu Windows Live ID a partir de http://skydrive.live.com.

Com o SkyDrive, a Microsoft oferece aquele que é, tanto quanto sei e à data da criação deste post, a maior capacidade de armazenamento gratuita online: 25 GB. E uma vez que pode ter tantas contas Live ID quantas quiser, pode ir multiplicando esse número facilmente.

O SkyDrive - literalmente, uma unidade de armazenamento "no céu" - permite-lhe armazenar documentos e fotos e, caso o pretenda, partilhar pastas e ficheiros com terceiros. Isto abre inúmeras possibilidades, desde a criação de galerias de fotografias para mostrar a amigos e familiares, até áreas de trabalho em grupo para partilha de documentos.

Melhor ainda, o armazenamento na SkyDrive pode ser usado directamente para gravar documentos a partir das aplicações do Office 2010, nomeadamente Word, Excel, PowerPoint e OneNote. E, para quem não possua o Office instalado no seu PC, é possível recorrer a versões online simplificadas dessas aplicações para abrir e editar ficheiros, que têm a vantagem sobre o Google Docs de oferecer uma interface familiar a quem está habituado a trabalhar com os programas da Microsoft.

Backups no SkyDrive

A Microsoft criou o SkyDrive sobretudo para oferecer funcionalidades de partilha online de documentos e fotos, mas é difícil não afiarmos o dente a este verdadeiro disco virtual de 25 GB que temos aqui gratuitamente à nossa disposição. Que tal usarmo-lo para backup? E/ou para sincronizar pastas de ficheiros? Ou simplesmente mapeado no nosso desktop?

Estas são aplicações práticas que (ainda) não podem ser feitas directamente, mas para as quais existem aplicações, pagas e gratuitas, que nos permitem alargar o âmbito da utilização do SkyDrive. Sugiro aqui três delas, todas com versões gratuitas de funcionalidades básicas e versão pagas mais funcionais. No entanto, para uma utilização pessoal, qualquer uma das versões gratuitas destes programas serve perfeitamente.

SDExplorer
O SDExplorer (anteriormente conhecido por SkyDrive Explorer, nome que provavalmente a Microsoft terá forçado a empresa a deixar de usar...) é a mais simples das três aplicações que sugiro. A idea é simples: criar um atalho no Meu Computador do Windows para usar o SkyDrive através do Windows Explorer, como se de um recurso local se trate. A versão paga do SDExplorer até permite ultrapassar uma das limitações do SkyDrive, que é de realizar uploads de ficheiros com dimensão superior a 100 MB. Esta aplicação é excelente para uma utilização directa, mas não funciona muito bem caso pretendamos usar o SkyDrive para realizar cópias de segurança através de um programa de backup, por exemplo.


Gladinet Cloud Desktop
O Gladinet Cloud Desktop é um programa que permite usar o SkyDrive como forma de sincronizar pastas locais/online bem como criar backups. O programa tem dois componentes principais - o mapeamento de uma unidade de rede no Windows para uma pasta no SkyDrive e um programa de sincronismo/backup. A vantagem é que podemos usar só a capacidade de mapeamento local dos recursos online, uma vez que isso nos abre a possibilidade de utilização de muitos outros programas, nomeadamente software de backup gratuito e com muito mais capacidades do que a versão gratuita do Gladinet, caso do SyncBack, por exemplo.

Goodsync
O Goodsync é o programa que estou a usar para realizar o backup para o SkyDrive da minha colecção de fotografias de família, um acervo de milhares de imagens com cerca de 15 GB e do qual possuo um backup local - em Windows Home Server 2011 - mas que nunca é de mais proteger num recurso remoto. O programa tem a vantagem de ser muito simples de configurar, não requerendo sequer o mapeamento prévio do SkyDrive: basta escolher o Windows Live ID e password respectivas e o programa faz o resto. Se a sua ideia é sincronizar dois directórios (um local e outro online) usando para isso o SkyDrive, o Goodsync é uma excelente solução.

Windows Live Mesh
Já falei várias vezes no Windows Live Mesh, que faz parte do pacote Live Essentials. Para quem pretende sincronizar pastas e directórios automaticamente, e até fazê-lo mantendo o sincronismo entre vários computadores e dispositivos, este é um serviço excelente e extremamente fácil de configurar, não requerendo qualquer software adicional além do Live Mesh propriamente dito. No entanto, tem uma limitação importante face ao SkyDrive, que é o facto de oferecer apenas 5 GB de armazenamento... sem possibilidades (pelo menos para já) de comprar armazenamento adicional nem de usar o que já temos no SkyDrive.








Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

A Microsoft, o Windows 8, a Apple e o mindshare

Vamos deixar isto claro desde o início: a Microsoft está metida num terrível sarilho e o problema - ao contrário do que muitos dizem, ou gostam de insinuar - não está na sua falta de capacidade de inovação. Está, receio bem dizê-lo, na falta de mindshare.

A ironia é que, ao longo dos anos, a Microsoft foi a rainha do mindshare, mesmo em momentos em que não o merecia. E hoje, que o merece, não o tem.

O mesmo aconteceu com a Nokia nos últimos anos. Quando as revistas da especialidade (e as generalistas) começaram a publicar comparativos entre o iOS e o Android e, só por descargo de consciência, incluiam o WindowsPhone mas ignoravam o Symbian, a Nokia devia saber que estava metida num sarilho.

Talvez "sarilho" não seja o termo certo (embora não ignore que o destino da sua plataforma Windows Phone está absolutamente ligada à capacidade da Nokia em se reinventar), mas dois eventos recentes levam-me a supor que há muito a fazer para os lados de Redmond. Vamos então por partes.


Windows 8

O Windows 8 foi apresentado oficialmente na passada semana. É "só" a versão mais importante do Windows desde o lançamento do Windows 95, há mais de 15 anos. É "apenas" a mudança total de paradigma na forma como mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo usam os computadores. É a primeira vez, depois das tentativas falhadas como o Windows NT, que a Microsoft lança um sistema operativo capaz da correr mesma forma em plataformas x86 (Intel) bem como em chips ARM, mais adequados a dispositivos móveis.

Mais: com o Windows 8 será criada uma plataforma de desenvolvimento de aplicações completamente nova que resolverá o potencial problema criado pelo facto de o Windows 8 correr sobre dois chips complementamente diferentes e incompatíveis entre si, permitindo que o mesmo software corra da mesma forma sobre qualquer uma das versões.

Ainda melhor: esta era a peça que faltava para a "estratégia dos 3 ecrãs" anunciada há um ano e que, até agora, ainda não tinha sido possível entender como seria concretizada.

Em circunstâncias normais, que é como quem diz, há apenas dois ou três anos, as repercussões de um anúncio deste tipo teriam sido enormes. E, não haja dúvidas, elas são enormes.

Mas não estamos a operar sob circunstâncias normais. Estamos num mundo em que cada vez interessa menos a tecnologia pela tecnologia, mas sim o que fazemos com ela. E, no limite, interessa mais a forma do que o conteúdo. A razão pela qual isto acontece seria tema para muito mais linhas do que aquelas que hoje tenho tempo para escrever. Mas basta por agora aceitarmos as coisas como elas são.

iCloud

A Apple é, neste momento, a rainha do mindshare. Qualquer coisa, por insignificante que seja, que a empresa de Steve Jobs crie (ou, anuncie, ou apenas sugira...) torna-se imediatamente motivo de manchetes de jornal ou até de abertura de noticiários na rádio ou na TV.

Contudo, esta semana, o esperado anúncio da plataforma iCloud foi tudo menos insignificante. Trata-se de uma iniciativa importante e que dá consistência e complementa a estratégia da Apple. No entanto, como alguns já salientaram, não estamos perante algo de fundamentalmente revolucionário. Contudo, o estado de graça em que a Apple vive actualmente faz com que isso seja irrelevante: outros podem anunciar o mesmo meses antes, mas não se torna significativo até que a Apple o anuncie. E, a partir do momento que o faz, a Apple surge como a real inovadora nesse campo - qualquer que seja.

Na verdade, praticamente tudo o que a Apple anunciou com o iCloud encontra-se já disponível em serviços como o Live Mesh ou até mesmo o Amazon Cloud Player. O que distingue a oferta da Apple não é a tecnologia mas duas outras coisas: a execução (que é tão ou mais importante do que a tecnologia em si) e... o facto de ser a Apple.

= = = = = =

Não é apenas a Apple que beneficia de mindshare. A Google é outra empresa que se pode orgulhar de beneficiar do mesmo estado de graça. E, em ambos os casos, é preciso admitir que estamos na presença de empresas com tecnologia e capacidade de inovação impressionantes (embora eu, de vez em quando, goste de atirar umas provocações e sugerir o contrário).

Contudo, o problema não é (só) esse. O problema, neste caso, o problema para a Microsoft, é que a esta percepção positiva de empresas como a Apple e a Google, há um contraponto de percepção negativa relativamente à Microsoft. Pior, uma percepção de que tudo o que a Microsoft faz é irrelevante. O que é tanto mais estranho quanto estamos a falar de uma empresa cuja tecnologia, directa ou indirectamente, nos toca a todos, diariamente.

Windows 8 à parte, porque só será efectivamente lançado em 2012, um caso gritante é o WindowsPhone 7. Estamos a falar num sector em que a Apple claramente inovou e, ao fazê-lo, mudou o paradigma da interface dos telemóveis. A seguir, a Google lança o Android que é, a todos os níveis, um clone do iOS. A Microsoft demora a reagir (o WindowsPhone 6.5 é absolutamente patético quer no que oferece, quer no timing com que foi lançado) mas quando o faz, com o WindowsPhone 7, fá-lo de forma espectacular. Na verdade, tanto ou mais espectacular como a Apple o fez anteriormente com o iPhone, no sentido em que volta a mudar o paradigma da interface, libertando-a da lógica compartimentada das Apps e repensando efectivamente a forma como usamos os terminais móveis.

Muitos (eu incluído) acharam que tudo iria mudar rapidamente com o WindowsPhone7. Mas, no espaço de um ano, praticamente nada mudou. Pior: os OEMs que, em 2010, se alinharam por detrás da Microsoft no apoio à sua nova plataforma, apostaram sobretudo nos terminais com Android e nunca criaram massa crítica para a nova plataforma. Nesse sentido, a nova versão do WindowsPhone 7 e, especialmente, o acordo entre a Microsoft e a Nokia (que irá apostar em exclusivo no WP7) poderá mudar tudo - ou nada, caso a Nokia não execute a estratégia de forma eficaz e se torne inexoravelmente irrelevante.


Onde é que eu quero chegar com tudo isto? Na verdade, a lado nenhum. É mais um desabafo, a sistematização de uma série de constatações: que a execução vale tanto ou mais do que a tecnologia (o que, em si mesmo, não é mau); que um rumor para os lados da Apple tem mais impacto mediático do que o anúncio de um produto da Microsoft; que, no final, tudo se resume a mindshare... E mindshare não é algo que se crie - ou recupere - de um momento para o outro.

Mas claro que nada disto invalida que o Windows 8 será o produto mais importante dos últimos 15 anos, não apenas para a Microsoft, mas para milhões de pessoas em todo o mundo.

Update: Se ainda tem dúvidas sobre a diferença entre verdadeira inovação e mindshare então vale a pena ver isto e isto.

Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

CloudBerry Backup e Amazon S3

Depois de ter entrado definitivamente na era dos cloud services com o Microsoft BPOS e feito a actualização para o SBS 2011 Essentials, restava uma peça do puzzle por resolver: o backup.

E não, não me refiro ao disco externo local que uso para fazer backup ao servidor – que de pouco servirá no caso de me roubarem o escritório e/ou de haver um problema grave, como um incêndio.

A escolha recaiu num programa e num serviço. O primeiro é o CloudBerry Online Backup numa edição em formato add-in para o SBS 2011 Essentials; o segundo é o Amazon Simple Storage Service (Amazon S3).
Claro que antes de instalar o add-in deve-se primeiro criar a conta na Amazon S3, mas o próprio wizard do CloudBerry leva-nos lá no momento certo. O processo todo, incluindo a instalação do add-in e da criação da conta, não leva mais do que 15 minutos.

Depois é uma questão de seleccionarmos o que pretendemos salvaguardar no backup, agendar o backup automático e já está. A paz de espírito segue dentro de momentos...

Existem neste momento bastantes serviços de backup online, que se tornaram viáveis com o acesso a banda larga abundante e a preço acessível. Normalmente, serviço e aplicação são fornecidos pela mesma empresa. Mas andei à procura de várias soluções e não encontrei nenhuma tão barata e que desse tantas garantias de fiabilidade (crucial quando falamos de backups) como esta.

Além disso, só temos de pagar uma vez pelo CloudBerry (custa 60 dólares, ou pouco mais de 40 euros, nesta versão); a conta mensal é apresentada pela Amazon. Acontece que o preço é muito bom, variando de acordo com a zona do mundo que vamos usar (no caso europeu, a Irlanda) e se pretendemos ou não usar uma variação do serviço com menor redundância. Melhor ainda, os primeiros 5 GB de armazenamento são por conta da casa, o que significa que se pode perfeitamente testar o serviço sem custos.

O teste sem custos também engloba o CloudBerry Online Backup, uma vez que existe uma versão de avaliação 100% funcional que dura 15 dias.

O add-in pode ser usado para ligação a outros serviços online, como Microsoft Azure, Mezeo, Dunkel e Walrus e até para unidades de rede local. Mas depois de averiguar tecnologias, preços e facilidade de utilização, tenho poucas dúvidas em considerar que a solução da CloudBerry associada ao serviço Amazon S3 é uma conjugação vencedora. Altamente recomendado.

Domingo, 3 de Abril de 2011

SBS 2011 Essentials e as micro empresas

Há muito tempo que não estava tão entusiasmado com o lançamento de um sistema operativo como agora. E não, o motivo não é o novo MacOS ou o Windows 8 a despontar no horizonte - sobre ambos sei exactamente o mesmo, que é nada...
O meu entusiasmo vem de um produto de que a maioria dos consumidores nunca ouviu falar: o Small Business Server 2011 Essentials.
De alguma forma, eu e a minha empresa somos como que um caso de estudo perfeito para se perceber melhor o alcance e utilidade do novo SBS, porque comecei por usar o Windows Home Server (perfeito para backups a acesso remoto à informação, mas limitado a 10 postos de trabalho) e instalei, em meados do ano passado, um SBS 2008 (que oferece muito mais mas é também mais caro e, sobretudo, mais difícil de gerir).
Para quem não sabe, o Windows Small Business Server não é propriamente um sistema operativo mas sim uma "suite" integrada de aplicações da Microsoft para empresas que integra um sistema operativo servidor (Windows Server 2000, 2003, 2008, 2008 R2...) com uma série de outras aplicações e/ou funcionalidades (como é o caso de um servidor Exchange, para correio electrónico) e cujo mercado-alvo são as empresas de pequena dimensão - até 75 utilizadores.
Acontece que no caso da minha empresa, onde somos menos de 10 pessoas, a funcionalidade oferecida pelo Windows Home Server era menos do que pretendia (nomeadamente na forma de gerir o correio electrónico) mas, como eu vim a descobrir da pior forma, um SBS 2008 não é propriamente pêra doce, quer ao nível da configuração como, sobretudo, da gestão. Em resumo: o que eu precisava era mais do que um WHS mas menos do que um SBS tradicional.

Ora, com o SBS 2011 Essentials, a Microsoft parece que falou comigo antes de criar o produto (mas não falou...), pois é exactamente o que eu procurava, fundindo a funcionalidade do WHS com a do SBS (tanto assim é que o código base do novo WHS é o mesmo do novo SBS) e subindo o número de utilizadores face ao WHS de 10 para 25.
Mas há outro aspecto interessante: é que o SBS 2011 Essentials (essentials é a palavra-chave) não inclui nem o Exchange nem o SharePoint, cujas funcionalidades eu necessito e me levaram a instalar um SBS 2008 na empresa. E ausente estão também os serviços de update das máquinas da rede ligadas ao servidor (WSUS).
Assim sendo, qual a diferença entre o WHS e o novo SBS 2011 Essentials, para além do número de postos de trabalho suportados? A diferença é a integração do SBS 2011 Essentials com os serviços na nuvem da Microsoft que providenciam a funcionalidade normalmente suportada pelo SBS numa máquina local. Para o Exchange e o SharePoint (e mais algumas coisas interessantes), a Microsoft tem o BPOS, que ainda em 2011 será actualizada para o Office 365. E para substituir o WSUS, a Microsoft oferece (enfim, vende...) um serviço baseado na nuvem chamado InTune.

A diferença entre a abordagem 100% local (on premise) face a esta abordagem híbrida, em que parte da funcionalidade é suportada num servidor local (backups, partilhas, serviços de impressão, etc.) e outra parte na nuvem (tudo o resto) é o que se ganha em termos de poupança de custos de investimento inicial e de administração.
O custo inicial é menor porque o SBS 2011 Essentials tem requisitos de hardware muito baixos, em nada comparáveis com a versão normal e, além disso, tem um licenciamento menos oneroso - o preço inicial é também mais baixo e inclui já as 25 licenças de cliente enquanto o custo da versão SBS 2011 normal é não apenas mais elevada como requer depois a aquisição de licenças de cliente adicionais.
Mas a verdadeira poupança é na gestão. Como eu descobri à minha custa, é possível a alguém (eu) como alguns conhecimentos técnicos gerir um SBS - mas ser possível é uma coisa; ser desejável é outra. Ou seja, o ideal é contratar alguém (pessoa ou empresa) que o faça por si. O que custa dinheiro, claro.
Comparativamente, a gestão do SBS 2011 Essentials é uma brincadeira de crianças, ao alcance de praticamente qualquer pessoa. E o mesmo acontece com a gestão dos serviços adicionais online.

Para pequena empresas até 25 postos de trabalho - que constituem mais de 50% do tecido empresarial português - o SBS 2011 Essentials conjugado com uma selecção de serviços online, constitui uma solução poderosa e flexível para a qual é difícil encontrar uma alternativa.
E, posso garantir com conhecimento de causa, este é um investimento em tecnologia que se paga a si mesmo em muito pouco tempo.

Update: uma versão de avaliação do SBS 2011 Essentials (90 dias sem limitações de funcionalidade) pode ser obtida aqui.