segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A Comissão Europeia, a Microsoft e o IE

Mais de 10 anos atrasada sobre o mesmo tipo de objecções levantadas pelo Departamento de Justiça dos EUA em… 1996 (!), a Comissão Europeia resolveu dar razão a uma queixa apresentada em 2007 pela empresa norueguesa Opera Software, criadora do browser com o mesmo nome.

Disclosure: a minha empresa tem a Microsoft Portugal como cliente.

A história é contada pela CNet aqui e está um pouco por toda a Web, pelo que não vale a pena entrar em pormenores.

Mas vale a pena tentar perceber algumas coisas que, sinceramente, não entendo:

1. Qual a lógica de levantar a questão sobre a inclusão de um browser no sistema operativo quando o mesmo acontece com todos os outros sistemas operativos – incluindo o MacOS e as distribuições comerciais de Linux?

2. Que sentido faz levantar a questão sobre o IE fazer parte do Windows quando a quota de mercado do IE nunca foi tão baixa como agora – especialmente na Europa (!) onde ronda actualmente os 60%, contra cerca de 75% ao nível mundial?

3. O que pode a Microsoft fazer? O mesmo que fez, obrigada pela Comissão Europeia, ao criar versões ridículas do Windows sem o Windows Media Player (uma vez mais, quando o MacOS inclui o QuickTime…) para consumo exclusivo na Europa e que NINGUÉM até hoje comprou ou incluiu no seu PC?

4. Mas, para mim, a verdadeira questão é esta: que sentido faz, no século XXI, um sistema operativo moderno não incluir um browser?

5. Finalmente, senhores da Opera Software: tenham juízo… Acham que é por causa deste processo que o vosso browser terá o sucesso que NUNCA teve? O Firefox ganha quota de mercado todos os dias à Microsoft por ser um bom produto. Se a Opera quer ganhar quota de mercado, tem bom remédio: é fazer um browser melhor. Nesse caso, até eu deixaria de usar o Internet Explorer.

2 comentários:

Paula C. disse...

Depois de ter lido o seu post de setembro a propósito do Magalhães,gostaria de sugerir que visitasse um blog que descobri por acaso, que fala sobre o Magalhães, mais propriamente, sobre a Diciopédia do Magalhães. Sobre o seu conteúdo, principalmente o dicionário desta, e as "palavras" que ele contém, que não sabia, já fazerem parte do nosso dicionário português.
O link é:

http://cdc2009.blogs.sapo.pt/

António Eduardo Marques disse...

Obrigado pela sua contribuição. Na verdade, não me choca, e por várias razões. Primeiro, porque não vale a pena tapar o sol com a peneira - o mais provável é que com 6 anos as crianças já saibam tudo isso e muito mais (e se não sabem, ficam a saber!). Depois, porque de facto a Porto Editora se limitou a licenciar o conteúdo da Diciopédia, que é a mesma em qualquer plataforma.
Agora imagine o contrário: que a edição da Diciopédia do Magalhães era "censurada"... Aí, caía o Carmo e a Trindade! :-)