domingo, 17 de outubro de 2010

Nunca é tarde demais

Um argumento com que tropeço frequentemente é o de determinada ideia/produto/tecnologia vir "tarde demais" para poder ganhar um lugar ao Sol no sector da tecnologia. Ainda não percebi se isto acontece por ignorância (sobretudo por falta de memória) ou por má fé (através dos fanboys habituais) ou por uma conjugação de ambos os factores.
Podia arranjar uma infinidade de exemplos, mas recorro a um que neste momento anda a circular e que me parece bem exemplificativo: o de que os Windows Phones (com o sistema operativo Windows Phone 7) chegam "demasiado tarde" para poder combater com o iPhone ou com os telefones com Android.
Há aqui qualquer coisa que não entendo: é que o Android há um ano praticamente não existia! Os primeiros smartphones com Android chegaram em quantidades significativas ao mercado no início de 2009. Hoje, vendem-se mais smartphones com Android do que... iPhones.
O que a "brigada do 'tarde demais'" parece não entender é que os smartphones não são PCs. A compatibilidade entre aplicações é praticamente irrelevante; os consumidores mudam de plataforma como quem muda de camisa; e fazem-no muito regularmente.
Aliás, se assim não fosse, a Apple não teria ganho a quota de mercado que ganhou num tão curto espaço de tempo e o mesmo teria acontecido com a Google em apenas um ano (na verdade, o sucesso do Android é ainda mais impressionante e rápido do que o do iPhone, facto que muitos parecem ignorar).
Fast forward para o final de 2010 e temos um novo rapaz na cidade, a Microsoft e os smartphones dos seus parceiros baseados no Windows Phone 7. Longe de ter chegado "tarde demais", a Microsoft só tem o seu próprio passado como adversário, depois de ter sido pioneira no mercado dos smartphones e se ter deixado ultrapassar por... bem, por toda a gente.
O mercado está sempre disponível para dar o benefício da dúvida a um produto que seja melhor do que os outros e que tenha um preço razoável.
Só precisamos agora de analistas, jornalistas e bloggers que estejam, eles também, dispostos a ter a mesma abertura de espírito.

3 comentários:

Anónimo disse...

Mais ou menos ;o) o Zune é a demonstração perfeita a favor do argumento, tarde de mais.
Mas a partir de determinada altura, já ninguém quer saber, se não for substancialmente diferente e melhor... e nesta classe de dispositivos não é muito simples sê-lo, mesmo quando, parece...
A principal diferença é que a mudança acontece mais rapidamente do que no PC, e é mais simples para um utilizador equacionar uma mudança de plataforma. Muitas das limitações desta v1 vão impedir que muita gente queira experimentar, os ecosistemas dos concorrentes são enormes por comparação (acessórios, aplicações, música, filmes, mais no caso da Apple no Android apenas na vertente aplicacional) e isso também limita a adopção. Se esta v1 não for o sucesso que a MS espera, isso terá impacto também no investimento futuro nestas categorias de produtos e não sei se os accionistas irão aguentar muito mais o SB, que se esta falhar, verá muito reduzida a sua margem de manobra. É bom não esquecer, que chegam de um investimento num feature phone de mais de 400M USD que falhou muito...

Victor

AEM disse...

O Zune, na verdade, é um péssimo exemplo: a MS nunca apostou nele fora dos EUA (e, mais tarde Canadá e alguns mercados seleccionados) mas, mais do que isso, não percebeu que o sucesso do iPod se deveu, em grande parte, ao iTunes e ao ecossistema que se criou.
Nunca é tarde porque, no longo prazo - 5, 10, 50 anos - NINGUÉM sabe o que irá acontecer, que dispositivos surgirão, o que iremos usar. Anyway... Não me parece que a MS esteja a cometer o mesmo erro com o WP7 que cometeu com o Zune que, de resto, nunca foi uma aposta séria para combater o iPod. E nem é preciso acreditar na Microsoft: olhando para o Android e vendo que num (um!) ano se vendem mais Smartphones com Android do que iPhones, só prova o meu ponto de vista.
Mas podemos combinar um "encontro" por aqui daqui a uns meses para um ponto de situação! ;-)

victormar disse...

"O Zune, na verdade, é um péssimo exemplo: a MS nunca apostou nele fora dos EUA (e, mais tarde Canadá e alguns mercados seleccionados)"

E pelos vistos bem... até porque nos EUA esteve sempre muito longe de ganhar algum mercado ao iPod, alargar a distribuição para outros mercados provavelmente só faria com que as perdas fossem maiores...

"Nunca é tarde porque, no longo prazo - 5, 10, 50 anos - NINGUÉM sabe o que irá acontecer, que dispositivos surgirão, o que iremos usar."

Só que os investimentos nestes segmentos são enormes, e a MS não me parece que possa neste momento andar 5, 7 ou 10 anos para se impor e de repente as opções aumentaram e estão muito melhores, não me parece que um pequeno nicho seja suficiente para a MS.

A nova classe são os Tablet/Slate e esses sim parece que "estão" (ver vendas do iPad e declinio das mesmas nos PC) a ter impacto na venda dos PCs (full featured) e por isso no próprio Windows, e isto está a acontecer em simultâneo, é por isso uma guerra gigantesca até para a MS, porque seria necessário avançar muito rápidamente no WP7 e ter uma oferta para os slate pronta rapidamente até os Android/Chrome começarem a assaltar o mercado a preços muito, muito baixos.

"Olhando para o Android e vendo que num (um!) ano se vendem mais Smartphones com Android do que iPhones"

Mas o sucesso do Android foi pré-anunciado, até porque iOS e Android são uma espécie de combate entre um mundo totalmente controlado do ponto de vista da experiência do utilizador e aquele em que as opções, a diversidade e um menor controlo imperam, a MS não vem criar um novo, vai sim ter de escolher um deles... e assim sendo vai ter que repartir o mercado com um deles e logo com aquele que é mais dificil pois os seus utilizadores são sempre muito fieis...

Mas o repto está aceite, daqui a uns tempos veremos como se desenvolveu o mercado e qual o espaço conquistado pela MS com este projecto WP7 ;o)

Victor